Entenda a abordagem junguiana e seus benefícios
- Fernanda Mesquita

- 30 de nov. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: há 3 dias

Quando falamos sobre abordagem em Psicologia, referimo-nos ao conjunto de teorias, técnicas e concepções utilizadas por profissionais para compreender e intervir nos processos mentais e comportamentais das pessoas. Durante minha formação, tive o privilégio de imergir na abordagem junguiana, também conhecida como Psicologia Analítica, e encantar-me com sua perspectiva profunda, holística e contemporânea sobre o ser humano. Embora tenha sido desenvolvida no início do século XX, somente chegou ao Brasil nas décadas de 50 e 60, gradualmente conquistando seu espaço entre as abordagens consolidadas. Este texto visa apresentar suas principais ideias e benefícios.
Uma concepção equivocada sobre a Psicologia Analítica é confundi-la com a Psicanálise. Esse equívoco decorre não apenas da semelhança nos nomes, mas também de suas histórias entrelaçadas. Embora Carl Gustav Jung, fundador da abordagem junguiana, tenha sido inicialmente discípulo de Freud, criador da Psicanálise, desentendimentos levaram a uma ruptura, levando Jung a forjar seu próprio caminho. Embora ambas as abordagens compartilhem a centralidade da ideia do inconsciente — uma região da mente com conteúdos inacessíveis à consciência —, as similaridades praticamente se encerram aí.
Ao buscar a terapia, muitos pacientes almejam aliviar os sintomas de seu sofrimento, identificar possíveis patologias e curá-las. A Psicologia Analítica vai além: busca compreender a função do sintoma, escutá-lo e não silenciá-lo sem antes entender o que ocorre em sua raiz. Trata-se de uma abordagem holística e não patologizante. Seu objetivo é auxiliar o paciente no processo de individuação, no qual o indivíduo integra diferentes partes de si, despolarizando-se e diferenciando-se do outro para tornar-se ele mesmo em sua totalidade. Com a conquista do autoconhecimento, a integração dos opostos e a busca por equilíbrio, a saúde mental e o bem-estar emergem como consequências naturais. Vivemos em uma sociedade que frequentemente estigmatiza os problemas de saúde mental e persegue uma ilusória perfeição. No entanto, a realidade é que todos carregamos nossas próprias complexidades.
A Psicologia Analítica também possui uma intrínseca relação com a Arte, pois, quando mergulhamos nela, encontramos manifestações simbólicas que transcendem as palavras, permitindo a expressão de emoções e pensamentos inexplorados. Da mesma forma, a Mitologia e os Contos de Fadas também têm sua importância, ao revelarem arquétipos presentes em todas as culturas, religiões e até mesmo na cultura popular, que acabam por influenciar diretamente o comportamento humano. Sendo assim, a expressão simbólica e criativa é extremamente valorizada, não apenas como um instrumento que auxilia o paciente a expor seus conteúdos, mas também por transcender a tudo isso.
Em síntese, a abordagem junguiana veio para ficar com seu jeito humanizado de ver a cada um de nós. Como Nise da Silveira sabiamente disse: “Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura”.
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