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Como é trabalhada a autoestima na Terapia Junguiana

  • Foto do escritor: Fernanda Mesquita
    Fernanda Mesquita
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura
Como é trabalhada a autoestima na terapia junguiana

Quando pensamos em autoestima, muitos podem relacionar apenas à questão estética, de se sentir bonito ou não. Mas a autoestima se espande para outras áreas da vida, como se sentir inteligente, reconhecido, bem sucedido, saudável, ter dinheiro, talentoso e até uma pessoa caridosa. Tudo passa pelo olhar do outro e esse olhar se torna um fantasma nas nossas vidas pelo qual construímos nossa régua de comos devemos ser.


Para Psicologia Analítica, o fortalecimento da autoestima está profundamente ligado ao processo de individuação, no qual o indivíduo se diferencia das expectativas externas e passa a viver de forma mais autêntica e coerente com sua própria psique.


Um dos afetos centrais que atravessam a construção — e muitas vezes a fragilização — da autoestima é a vergonha. No livro A Vergonha e as Origens da Autoestima, o autor descreve a vergonha como um afeto primário que surge quando o vínculo, o reconhecimento ou o sentimento de pertencimento são ameaçados. Desde muito cedo, experiências repetidas de desvalorização, rejeição ou inadequação podem organizar a forma como o indivíduo passa a se perceber e a se relacionar consigo mesmo e com o mundo.


Sob a ótica junguiana, essas experiências não desaparecem, mas se organizam no inconsciente, formando complexos que influenciam silenciosamente a autoimagem, os relacionamentos e as escolhas de vida. A autoestima fragilizada, nesse sentido, não é um defeito pessoal, mas o resultado de histórias emocionais de momentos de desvalorização que ainda não puderam ser simbolizadas, elaboradas e integradas.


O trabalho terapêutico, portanto, não busca simplesmente “aumentar” a autoestima de forma artificial, mas compreender suas origens, escutar a vergonha sem silenciá-la e dar sentido às experiências que moldaram a relação do indivíduo consigo mesmo. Através da escuta clínica, da análise de sonhos, do trabalho simbólico e da expressão criativa, a terapia possibilita que conteúdos antes vividos como inadequação ou falha sejam reconhecidos como partes da história psíquica.


Ao integrar esses aspectos, o paciente passa a se relacionar consigo de maneira mais compassiva e verdadeira. A autoestima, então, deixa de depender exclusivamente do olhar do outro e passa a se sustentar de forma mais estável e autêntica. Quando a vergonha é reconhecida e elaborada, ela deixa de organizar a vida psíquica de forma defensiva e abre espaço para vínculos mais saudáveis.


Na Psicologia Junguiana, cuidar da autoestima é, sobretudo, um caminho de reconexão, no qual o sujeito aprende a habitar a si mesmo com mais consciência, dignidade e sentido.


Gostaria de se reconectar consigo mesmo?



 
 
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