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Depressão em pessoas autistas: quando o sofrimento nem sempre é visível

  • Foto do escritor: Fernanda Mesquita
    Fernanda Mesquita
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Depressão em pessoas autistas: quando o sofrimento nem sempre é visível

A depressão em pessoas autistas pode se manifestar de formas diferentes daquelas mais conhecidas no público geral, o que muitas vezes dificulta sua identificação e tratamento. Em pessoas no Transtorno do Espectro Autista (TEA), o sofrimento psíquico nem sempre aparece como tristeza evidente ou choro frequente, podendo se expressar de maneira mais silenciosa, persistente e internalizada.


Em muitos casos, a depressão em autistas está relacionada a experiências repetidas de inadequação, sobrecarga sensorial, dificuldades de pertencimento social e esforço constante de adaptação a um mundo que nem sempre considera suas necessidades. O chamado masking — tentativa de esconder características autistas para se adequar às expectativas sociais — pode gerar exaustão emocional profunda e contribuir para quadros depressivos.


Os sinais de depressão em pessoas autistas podem incluir aumento do isolamento, perda de interesse por atividades que antes eram significativas, maior rigidez comportamental, intensificação de sensibilidades sensoriais, alterações no sono e no apetite, além de uma sensação persistente de cansaço ou vazio. Em alguns casos, o sofrimento pode se manifestar mais através do corpo — através de sintomas físicos — ou de mudanças comportamentais do que por meio da verbalização de sentimentos.


É importante compreender que, para muitas pessoas autistas, a dificuldade em nomear emoções (alexitimia) pode dificultar a identificação da depressão, tanto por parte do próprio indivíduo quanto de familiares e profissionais. Por isso, a escuta clínica precisa ir além dos critérios tradicionais, considerando a história de vida, os contextos de exclusão, as vivências de estigmatização e as formas singulares de expressão psíquica.


O cuidado terapêutico com pessoas autistas em depressão deve ser individualizado, não patologizante e respeitoso, levando em conta o funcionamento neurodivergente. A adaptação do indivíduo não deve ser o foco e sim a redução do sofrimento, fortalecer recursos internos, promover autocompreensão e construir formas mais sustentáveis de existir no mundo. Em razão disso, a terapia analítica tem sido uma excelente abordagem nesse campo, pois permite que o paciente desenvolva sua autenticidade ainda que em meio a um mundo neurotípico.


Reconhecer a depressão em pessoas autistas é também reconhecer que o sofrimento não está apenas no indivíduo, mas muitas vezes nas relações, nas exigências sociais excessivas e na falta de ambientes acessíveis e acolhedores. O tratamento adequado pode favorecer não apenas a redução dos sintomas depressivos, mas também uma relação mais compassiva e integrada consigo mesmo.


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